A dificuldade de libertar os tolos não reside apenas na ignorância, mas no apego. Há homens que não defendem ideias: veneram-nas. Transformam conceitos em ídolos e passam a servi-los com devoção quase religiosa. Quando isso acontece, a razão deixa de ser guia e passa a ser inimiga.
Assim nasce a polarização estéril entre esquerda e direita. Dois campos que, muitas vezes, já não buscam a verdade, mas apenas a confirmação das próprias crenças. Cada lado acredita possuir o monopólio da virtude, enquanto acusa o outro de todos os vícios. No entanto, a história demonstra que nenhuma ideologia, por si só, é capaz de produzir justiça.
Ideias não salvam sociedades; caráter salva. Doutrinas podem prometer igualdade ou liberdade, mas, nas mãos de homens sem virtude, tornam-se apenas instrumentos de poder.
O problema nunca foi apenas a ideologia. O problema sempre foi o homem que a utiliza.
Sem prudência, a esquerda degenera em tirania moral.
Sem temperança, a direita degenera em arrogância de poder.
Em ambos os casos, perde-se aquilo que sustenta qualquer ordem civilizada: a virtude.
Por isso é tão difícil libertar aqueles que veneram suas próprias correntes. Quem transforma a própria crença em identidade deixa de procurar a verdade e passa apenas a defender o seu lado. E quando a fidelidade ao grupo vale mais que a fidelidade ao que é justo, a liberdade interior já foi perdida.
A sabedoria estoica recorda algo simples e severo: não importa a bandeira sob a qual um homem marcha. Se não houver virtude, toda ideologia acaba servindo apenas como máscara para os mesmos vícios de sempre.

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