Quando Marco Aurélio governava Roma, o maior império do mundo não estava nas mãos de um demagogo, mas de um homem que acreditava que o primeiro governo é o governo de si mesmo. Para ele, o poder não era um palco para vaidades, mas um fardo moral que exigia disciplina, razão e virtude.
Hoje, em muitas democracias e especialmente no Brasil parece ocorrer exatamente o contrário.
A política foi tomada por homens que não governam a si mesmos, mas são governados por suas paixões: a ambição, o ressentimento, o desejo de aplauso fácil. Em vez de caráter, busca-se popularidade. Em vez de responsabilidade, marketing. Em vez de virtude, espetáculo.
O resultado é previsível.
Quando o poder deixa de ser entendido como dever e passa a ser tratado como privilégio, o Estado se transforma em instrumento de interesses pessoais. A máquina pública vira moeda de troca, favores substituem princípios e o bem comum desaparece sob a lógica do cálculo eleitoral.
O estoicismo ensinava algo simples e poderoso: o homem público deve preferir ser justo e criticado a ser aplaudido e corrupto. A multidão é volátil; a virtude, não.
Mas a política moderna foi seduzida por outra lógica: a lógica do populismo. O populista promete tudo, distribui ilusões e compra aplausos com o dinheiro que não é dele. Governa para a próxima eleição, não para a próxima geração.
Roma aprendeu uma lição dura: civilizações não caem apenas por invasões externas. Elas apodrecem por dentro quando a virtude abandona o poder.
Quando líderes deixam de ser exemplos de caráter e passam a ser especialistas em manipular paixões coletivas, a decadência deixa de ser uma hipótese e se torna um destino.
Marco Aurélio escreveu para si mesmo uma advertência que ainda ecoa pelos séculos: o homem deve agir corretamente mesmo que o mundo inteiro escolha o contrário.
Talvez seja exatamente isso que falte à política contemporânea.
Menos aplauso.
Mais caráter.
Menos cálculo eleitoral.
Mais virtude.
Porque quando a virtude abandona a política, não é apenas o governo que se deteriora.
É a própria civilização que começa a ruir.

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