A seleção brasileira de futebol não tem time. Que coisa curiosamente boa. Um país que se deixa governar pelo entusiasmo cego do entretenimento costuma esquecer que o verdadeiro jogo se decide longe dos estádios. O estoicismo recorda que aquilo que domina nossas emoções, domina também nossa liberdade.
Enquanto a multidão se inflama por vitórias efêmeras, decisões duradouras são tomadas sem vigilância. O pão distrai a fome imediata, o circo distrai a consciência. E assim, aquilo que deveria ser secundário ocupa o centro, enquanto o essencial é negligenciado.
Um povo torna-se sério quando direciona seu ardor para aquilo que molda seu destino. Quando a mesma atenção dedicada ao futebol for aplicada à política, não por paixão cega, mas por responsabilidade lúcida, então haverá menos espetáculo e mais construção.
A serenidade estoica ensina que não se deve desprezar o lazer, mas tampouco permitir que ele substitua o dever. A liberdade exige vigilância constante, pois quem entrega sua atenção sem critério entrega também o próprio futuro.
Talvez a ausência de um grande time seja apenas um convite silencioso: olhar menos para o campo e mais para a direção que o país toma.

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