A temperança é a virtude do equilíbrio. Em um mundo marcado por excessos, impulsos e reações imediatas, ela representa a capacidade rara de manter o domínio sobre si mesmo. O homem temperante não é aquele que nega os desejos da vida, mas aquele que não se torna escravo deles.
Ter temperança significa saber quando parar, quando falar e quando silenciar. Significa resistir à tentação do excesso, seja no poder, no prazer, na ambição ou na ira. É a virtude que impede que o impulso momentâneo destrua aquilo que foi construído com esforço ao longo do tempo.
A falta de temperança leva o homem a agir movido por emoções passageiras. A raiva o faz ferir, a vaidade o faz se perder, o desejo o faz ultrapassar limites. A temperança, ao contrário, cria uma espécie de governo interior, onde a razão conduz as decisões.
Ela também é uma forma de força. Dominar a si mesmo é muitas vezes mais difícil do que dominar qualquer adversário externo. Quem possui temperança mantém a serenidade mesmo diante da provocação, do sucesso ou da adversidade.
Os antigos filósofos entendiam que sem temperança as outras virtudes se desequilibram. A coragem pode se tornar imprudência, a justiça pode se tornar rigidez e até a sabedoria pode se transformar em arrogância.
A temperança, portanto, não é fraqueza nem privação. É liberdade. Liberdade de não ser controlado pelos próprios impulsos e de conduzir a própria vida com lucidez, equilíbrio e dignidade.
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