domingo, 8 de março de 2026

A virtude de dizer não

Em um tempo em que quase tudo se negocia, dizer não tornou-se um ato raro. Não porque as pessoas não tenham convicções, mas porque muitas vezes lhes falta coragem para sustentá-las. O não é a fronteira silenciosa entre o caráter e a conveniência.

Na tradição do Estoicismo, a virtude é o maior bem que um ser humano pode possuir. Filósofos como Sêneca, Epicteto e o Imperador Marco Aurélio ensinaram que o homem livre é aquele que não se submete às paixões, aos aplausos ou às vantagens fáceis. A verdadeira liberdade está na capacidade de governar a si mesmo.

Dizer não é uma forma de soberania interior. É o instante em que o indivíduo se recusa a trocar seus princípios por benefícios passageiros. É quando alguém escolhe perder um favor, uma oportunidade ou até uma amizade antes de perder a própria integridade.

Há pessoas que confundem inteligência com esperteza. Outras confundem sucesso com conveniência. Mas a virtude não se mede pelo ganho imediato. Ela se mede pela capacidade de resistir ao que é fácil quando isso ameaça aquilo que é correto.

O não virtuoso não nasce da arrogância, mas da consciência. Ele surge quando o indivíduo sabe quem é, sabe o que defende e compreende que algumas portas devem permanecer fechadas para que a dignidade permaneça aberta.

Dizer sim muitas vezes é simples. O não exige força, clareza e solidão. Porque quem diz não a certas vantagens também aceita pagar o preço de caminhar sem aplausos.

Mas é justamente aí que reside a grandeza moral. O homem que sabe dizer não não está apenas recusando algo externo. Ele está afirmando algo muito mais profundo: que sua consciência não está à venda.

No fim, a virtude não está em conquistar tudo, mas em saber o que jamais aceitar. E, entre todas as palavras que protegem a dignidade humana, talvez nenhuma seja tão poderosa quanto um não dito no momento certo.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Barragem de rejeitos da Nexa Resources em Juiz de Fora: atenção redobrada em períodos de chuva intensa

A barragem de rejeitos da Nexa em Juiz de Fora possui capacidade total licenciada de 3.478.080 m³. Atualmente, o volume armazenado (rejeitos + água) é de aproximadamente 2.661.119 m³.


*Cálculo do nível de ocupação*

Volume atual: 2.661.119 m³

Capacidade licenciada: 3.478.080 m³


Isso significa que a barragem opera hoje com cerca de 76,5% da sua capacidade total, restando aproximadamente 23,5% de volume livre até atingir o nível máximo autorizado.


Risco associado a chuvas fortes

Eventos de chuva intensa, como os registrados hoje em Juiz de Fora, não implicam automaticamente risco iminente de rompimento, especialmente porque a barragem não é do tipo a montante (o método mais crítico). No entanto, o cenário exige atenção técnica reforçada, pois chuvas volumosas podem:

Aumentar rapidamente o volume de água acumulada no reservatório;

Reduzir o fator de segurança caso os sistemas de drenagem e extravasão sejam sobrecarregados;

Elevar a pressão hidrostática sobre o maciço da barragem;

Exigir operações eficientes de controle de nível, como bombeamento e vertedouros operacionais.


Avaliação objetiva do risco

Com a barragem já acima de ¾ da capacidade, episódios de chuva intensa e contínua reduzem a margem operacional de segurança, tornando indispensável:

Monitoramento em tempo real do nível d’água;

Funcionamento pleno dos sistemas de drenagem;

Comunicação clara e preventiva com os órgãos fiscalizadores e a população do entorno.


Conclusão

Não se trata de afirmar que a barragem esteja prestes a romper, mas sim de reconhecer que chuvas extremas aumentam o grau de atenção necessário quando o reservatório já opera em patamar elevado de ocupação. Transparência, vigilância técnica permanente e planos de contingência atualizados são fundamentais para mitigar riscos e proteger a população a jusante.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

PÃO E CIRCO

Enquanto o Brasil real tropeça em filas do SUS, escolas caindo aos pedaços e estradas que parecem trilhas de rally, o espetáculo não pode parar. Em pleno ano eleitoral, uma escola de samba resolve homenagear Luiz Inácio Lula da Silva e pronto, acende-se o debate político nas redes, como se fosse surpresa misturar samba, palanque e confete.

Vieram os processos. O Tribunal Superior Eleitoral foi provocado, primeiro pelo Partido Missão, depois pelo Partido Novo. Discussão jurídica, argumentos técnicos e indignação seletiva, tudo conforme o figurino.

Mas há um detalhe que insiste em desfilar fora do enredo. Todas as escolas do Rio recebem recursos públicos, via Embratur, para promover o Carnaval. E não para por aí. Inúmeras cidades Brasil afora também recebem verbas para festas, shows e eventos, sempre sob o discurso do turismo, da cultura e da alegria nacional.

Educação básica, saneamento, segurança e ciência acabam empurrados para depois. Agora é hora do samba no pé, do aplauso ensaiado e do refrão conhecido. Quando falta pão, que não falte o circo.

É urgente estancar o gasto público com festas de rua, eventos religiosos e outros espetáculos financiados pelo Estado. Cultura e fé não precisam de dinheiro do contribuinte para existir. O que precisa de recursos são as demandas reais da população. Enquanto o poder público bancar diversão e propaganda com dinheiro público, o Brasil continuará aplaudindo na arquibancada aquilo que deveria estar sendo cobrado com seriedade.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Poder pelo poder não é projeto

 Existe na cidade um grupo que fala em valores, princípios e moralidade. Mas quando chega a hora de escolher referência, recorre exatamente ao símbolo máximo da velha política que fingem combater.

Pelo fim das emendas parlamentares em todas as esferas

 Quando os juros estão nas alturas, o governo sempre encontra um culpado conveniente. Nunca é o gasto público. Nunca é a falta de prioridade. Nunca é a irresponsabilidade fiscal travestida de sensibilidade social. Deve ser algum complô abstrato chamado mercado.

PELO DIREITO DE VIVER EM SEGURANÇA

 


A lei existe para garantir os direitos das pessoas. Em uma sociedade civilizada, quem comete um crime continua sendo cidadão, é preso, processado, julgado e tem direito à defesa. Esse é o fundamento do Estado de Direito.

PT prometeu picanha, mas deixou faltar gás: bolsonaristas votam o vale-gás e você briga por causa deles

 Enquanto você briga na internet, a boiada passa.

1989: Quando o Gênio Virou Palhaço e os Palhaços Viraram Gênios

  Uma reflexão estoica sobre a primeira eleição presidencial pós-ditadura e o eterno conflito entre espetáculo e sabedoria. A primeira eleiç...