Enquanto o Brasil real tropeça em filas do SUS, escolas caindo aos pedaços e estradas que parecem trilhas de rally, o espetáculo não pode parar. Em pleno ano eleitoral, uma escola de samba resolve homenagear Luiz Inácio Lula da Silva e pronto, acende-se o debate político nas redes, como se fosse surpresa misturar samba, palanque e confete.
Vieram os processos. O Tribunal Superior Eleitoral foi provocado, primeiro pelo Partido Missão, depois pelo Partido Novo. Discussão jurídica, argumentos técnicos e indignação seletiva, tudo conforme o figurino.
Mas há um detalhe que insiste em desfilar fora do enredo. Todas as escolas do Rio recebem recursos públicos, via Embratur, para promover o Carnaval. E não para por aí. Inúmeras cidades Brasil afora também recebem verbas para festas, shows e eventos, sempre sob o discurso do turismo, da cultura e da alegria nacional.
Educação básica, saneamento, segurança e ciência acabam empurrados para depois. Agora é hora do samba no pé, do aplauso ensaiado e do refrão conhecido. Quando falta pão, que não falte o circo.
É urgente estancar o gasto público com festas de rua, eventos religiosos e outros espetáculos financiados pelo Estado. Cultura e fé não precisam de dinheiro do contribuinte para existir. O que precisa de recursos são as demandas reais da população. Enquanto o poder público bancar diversão e propaganda com dinheiro público, o Brasil continuará aplaudindo na arquibancada aquilo que deveria estar sendo cobrado com seriedade.
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