Vivemos tempos onde a estética do mandato vale mais do que sua essência. Em um parlamento local que deveria ser motor de políticas públicas sérias, o que impera é o espetáculo: selfies em reuniões que nada deliberam, vídeos de gabinete cuidadosamente editados para redes sociais e discursos inflamados que escondem a estagnação legislativa. Mas a pergunta que se impõe é direta: quem, de fato, trabalha pela cidade?
A política das aparências se sustenta no marketing e na superficialidade. Vereadores, tanto da esquerda quanto da direita, investem mais energia em lacrar discursos do que em destravar gargalos estruturais. De um lado, o assistencialismo que transforma gabinetes em ONGs paralelas; de outro, a verborragia ideológica de quem se ocupa mais com Brasília do que com a rua esburacada da sua cidade.
Enquanto isso, projetos estratégicos como o desenvolvimento do parque tecnológico, a criação de zonas de liberdade econômica ou a reforma da legislação urbanística dormem nas gavetas. São constantemente travados por pedidos de vista, por barganhas políticas ou simplesmente por desinteresse técnico.
É preciso denunciar o faz de conta. O parlamentar que aparece muito, mas entrega pouco; que se vangloria de homenagens irrelevantes, mas não escreve um artigo de lei com qualidade. O que nomeia amigos e repete o jogo antigo das trocas de favores. Tudo isso em nome de uma “presença” que se esgota no enquadramento do Instagram.
Trabalhar pela cidade não é bonito nem fácil. Exige estudo, equipe técnica qualificada, coragem para contrariar interesses e uma ética que ultrapasse o mandato. Por isso, o verdadeiro trabalho é silencioso, quase invisível, mas é ele que transforma realidades.
Num cenário como este, onde o voto se baseia na emoção e no assistencialismo pontual, a cidade continuará sendo palco do teatro das aparências. Até que o eleitor entenda que vereador não é celebridade, não é pastor, não é influenciador. É agente público com dever constitucional. E quem não cumpre esse dever, não merece o cargo.
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