Sonho com um país em que R$ 5 bilhões não sejam torrados para sustentar campanhas eleitorais de quem já está no jogo ou de quem carrega um sobrenome bem posicionado. Sonho com o fim desse fundo eleitoral que premia os de sempre, cria castas políticas, e transforma a democracia em leilão.
Sonho com um país que tenha uma única eleição a cada cinco anos. Um só pleito para eleger vereador, prefeito, deputado estadual, federal, governador, senador e presidente. Simples, direto, eficiente. O resto do tempo? Governar, legislar, trabalhar. Não se preparar para a próxima campanha.
Sonho com menos partidos, não essa sopa de siglas vazias, sem ideologia, que servem apenas para negociar tempo de TV, fundo partidário e nomeações. Partidos que viraram balcões, não ideias.
Mas, acima de tudo, sonho com um país onde se respeite o voto.
Você acabou de votar em um vereador e ele já quer ser deputado? Isso deveria ser crime.
Estelionato eleitoral. Traição ao mandato. Engodo.
Para quê lutar por uma cadeira na Câmara Municipal se, meses depois, você pretende abandoná-la? Como olhar no olho do eleitor e dizer que aquilo foi legítimo? Você pediu confiança para representar a cidade e já quer pegar um atalho para Belo Horizonte ou Brasília?
O problema é que as pessoas simples, trabalhadoras, que elegem esses políticos, não sabem a gravidade disso.
Elas não percebem que estão sendo usadas como degraus. Que votam num projeto de cidade e recebem um trampolim pessoal.
Não se trata de ser contra o sonho político de ninguém. Trata-se de coerência, ética e respeito ao eleitor. Quem quer ser deputado, que espere sua hora. Que prove seu valor, cumprindo o mandato até o fim.
O Brasil do futuro que sonho é honesto com quem vota.
Mais enxuto, mais eficiente, menos populista e contra espertalhão.
Onde o dinheiro público é para melhorar a vida das pessoas e não para imprimir santinhos.
E se isso ainda parece utopia, é porque continuamos elegendo quem trata a política como carreira, não como missão.
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