O novo Cavalo de Tróia da dívida pública.
Você se lembra do que foi o Cavalo de Tróia? Pois é! Um presente bonito por fora, mas que carregava o início da destruição por dentro. Hoje, na Câmara Municipal de Juiz de Fora, assistimos à reedição dessa fábula em forma de audiência pública: discutiram-se novos empréstimos que, juntos, somam mais de R$ 300 milhões de reais. O maior deles, de R$ 200 milhões, tem prazo de 20 anos para ser quitado, ao fim, o município pagará mais de meio bilhão de reais, considerando os juros. O “presente” embutido nesse cavalo moderno? Uma UBS no bairro Santo Antônio, uma intervenção no bairro Dom Bosco e uma creche no Grotão do Vitorino, obras importantes, mas que não chegam a 1/3 do valor total pretendido.
Para contrair essas dívidas, a Prefeitura precisa comprovar que tem boa saúde fiscal. No papel, para os órgãos de controle, tudo parece em ordem. Mas a realidade vivida nas ruas é outra: falta combustível para os caminhões da limpeza urbana (Demlurb), há um rombo de R$ 30 milhões nos pagamentos aos prestadores do Saúde Servidor, repasses atrasados aos hospitais do SUS, falta de insumos básicos nas UBSs, e até cimento nas obras públicas.
Apesar disso, a audiência seguiu com parte dos vereadores ausentes, uma oposição desestruturada, sem assessoria técnica presente, e a base governista empenhada em aplaudir o que chamam de “grande legado” da atual gestão. O que se vê, na verdade, é um modelo insustentável de endividamento que comprometerá o futuro da cidade por décadas. No fim, o que se está construindo não é um legado de progresso, mas sim um de dívidas, incapacidade de investimento e um falso presente que, quando aberto, cobrará um preço alto demais.
Quem viver, verá!
Nenhum comentário:
Postar um comentário