O CAVALO DE AÇO CONTRA O CANGAÇO URBANO: UM PASSEIO PELA INUTILIDADE DO LEGISLADOR BRASILEIRO
Enquanto o Congresso Nacional serve cafezinho em xícaras de porcelana legislativa, o Brasil segue sendo atravessado por uma gangue de escapamentos abertos e cérebros fechados. O legislador brasileiro, essa entidade mística preocupada mais com emendas do que com emendas constitucionais segue fingindo que está tudo sob controle. Afinal, o foco é a reeleição, o fortalecimento da base e, claro, garantir aquela licitação marota pro primo do cunhado do assessor.
Criar leis eficientes? Não dá ibope. Propor endurecimento penal pra quem transforma as noites das cidades em corridas de apocalipse zumbi? Isso não rende curtida no Instagram. Enquanto isso, a cada esquina do Brasil, cresce o “cangaço urbano”, hordas de motociclistas sem miolo no escapamento (e às vezes sem miolo algum), invadem ruas, avenidas e até portas de hospital, como se viver em sociedade fosse opcional.
Em Minas Gerais, a operação Cavalo de Aço tenta, heroicamente, conter esse surto de libertinagem motorizada. Mas com a legislação frouxa e punitividade mole como pudim de câmara municipal, a cada ano o movimento se reinventa. Hoje eles acordam bebês, amanhã vão estar empinando moto em frente a velório. E nada acontece.
Você sabia que cada lei no Brasil pode custar até R$ 1,3 milhão para ser elaborada e aprovada? Pois é. Tudo isso pra depois aprovar “dia municipal do peixinho ornamental” ou férias remuneradas de 30 dias pra vereador. Mas endurecer a pena de perturbação do sossego? Não dá, o relator está em missão internacional.
Está na hora da sociedade civil parar de aplaudir discursos vagos e começar a exigir leis que defendam o direito à cidade, essa máxima civilizatória que separa uma sociedade funcional de uma distopia motorizada.
Porque, no fim das contas, o barulho mais insuportável não vem do escapamento, mas do silêncio covarde dos que deveriam legislar para o bem comum.
Nenhum comentário:
Postar um comentário