Enquanto centenas de servidores municipais enfrentam negativas de atendimento em hospitais, clínicas e laboratórios credenciados ao convênio Saúde Servidor, a Prefeitura de Juiz de Fora se prepara para gastar quase R$ 2 milhões com a decoração natalina deste ano. O contraste chama atenção: há recursos para iluminar as ruas, mas não para garantir o básico a quem sustenta a máquina pública com trabalho e desconto em folha.
Não se trata de ser contra a decoração natalina. As luzes, o clima festivo e a movimentação no comércio realmente impulsionam a economia local. Mas a pergunta que não cala é: se há verba para acender as luzes, por que não há para cuidar dos servidores?
A atual gestão caminha para seu oitavo ano consecutivo no poder. Se mantido o padrão de gasto com os festejos de fim de ano, Juiz de Fora terá investido mais de R$ 20 milhões apenas em enfeites natalinos, um valor equivalente ao rombo atual do Saúde Servidor, segundo estimativas de sindicatos e entidades representativas.
Enquanto vídeos promocionais enchem as redes sociais da Prefeitura com cenas encantadoras de praças iluminadas, servidores com câncer relatam estar sendo barrados em seus tratamentos, mesmo com as contribuições descontadas diretamente de seus contracheques.
A crise no convênio não é nova, mas piorou sensivelmente nos últimos anos com a falta de repasses regulares e uma gestão marcada pela ausência de transparência. Ao mesmo tempo, o investimento em eventos e festividades não foi interrompido em nenhum ano.
Juiz de Fora precisa de luz, sim, mas de uma que ilumine com responsabilidade, coerência e humanidade. Porque servidor doente, desamparado e ignorado pelas políticas públicas também é apagão.
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