Às vezes, dizem que meus textos são pessoais. Não são. Não escrevo contra pessoas, escrevo contra práticas. Contra o que se tornou “normal” na política, mas que, na verdade, é a negação da ética e da cidadania.
Meu combate é contra essa banalização do errado. Hoje, vereadores oferecem clínicas, distribuem favores, criam ONGs com CPF eleitoral e chamam isso de “trabalho social”. Mas isso é privatizar direitos. É tomar para si o que deveria ser política pública. Isso, em qualquer sistema sério, tornaria o sujeito inelegível. Aqui, torna-o favorito.
Falo do que vejo, do que me incomoda, e sim, machuco. Não por querer, mas porque toco nas feridas. Sei que incomodo. Alguns já me olham atravessado, outros gostariam de me calar. Em outros tempos, talvez até me fariam desaparecer.
Mas não escrevo para os amigos de gabinete, nem para os “cumpanheiros” de contrato. Escrevo para os netos deles. Para que, um dia, saibam que alguém denunciou o que hoje é visto como normal, mas que é inaceitável.
Estamos viciados em um teatro político onde a hipocrisia reina. Onde se premia o assistencialista e se cala o fiscalizador. Onde projetos importantes viram moeda de troca. Onde o parlamento virou arquibancada de Fla-Flu ideológico, enquanto a engrenagem da cidade, geração de emprego, liberdade econômica, tecnologia, enferruja.
Sei que não agrado. Mas não estou aqui para agradar. Estou aqui para lembrar que política não é palco para vaidade, nem balcão de negócios. Política é ferramenta de transformação.
E escrever, nesse cenário, é resistir. Porque quem cala, consente. E eu me recuso a consentir com a farsa.
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