Vivemos a era da política-espetáculo. Enquanto os problemas reais se acumulam nos bairros, nas escolas, nos postos de saúde, e no transporte público, muitos parlamentares parecem mais preocupados em alimentar seus perfis nas redes sociais do que em exercer, de fato, o mandato. O plenário se tornou um cenário, e o microfone, um tripé de influencer.
Os chamados “cortes de câmera”, pequenos vídeos editados com frases de efeito e trilha épica, substituíram a construção de políticas públicas. O que importa não é mais a elaboração de projetos sérios, o acompanhamento da execução orçamentária, ou a fiscalização efetiva do Executivo. O foco agora é lacrar, gerar engajamento e inflar o próprio nome para a próxima eleição. A política virou performance.
A superficialidade desse novo modelo de atuação se reflete na baixa qualidade legislativa. Muitos dos discursos que viralizam sequer resultam em propostas concretas. Poucos projetos têm base técnica, impacto orçamentário avaliado ou diálogo com a sociedade. O que se tem são promessas genéricas, muitas vezes recicladas, com pouca ou nenhuma efetividade prática.
Enquanto isso, a população segue lidando com problemas profundos: a saúde em colapso, os servidores desassistidos, a insegurança nos bairros, a precarização do trabalho e a crise no transporte. E onde está a resposta institucional para tudo isso? Ocupada gravando reels.
Não se trata de negar a importância da comunicação ou das redes sociais. Elas são ferramentas legítimas e necessárias no diálogo com a população. O problema é quando elas se tornam o fim, e não o meio. Quando o mandato passa a ser medido em visualizações e não em resultados concretos para a cidade.
A política não pode ser reduzida a curtidas. Ela exige trabalho silencioso, técnico, comprometido. Exige estudo, escuta, articulação e responsabilidade. Precisamos de menos câmera e mais plenário. Menos “lacre” e mais entrega. O povo não precisa de influenciadores públicos, precisa de representantes de verdade.
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