Mesmo para alguém persistente e dedicado ao estudo das contas públicas, como eu, tem sido praticamente impossível descobrir com exatidão o valor da dívida consolidada da Prefeitura de Juiz de Fora. Acredite: já consultei portais, ofícios, notas técnicas, especialistas. E até mesmo alguns vereadores confessaram que, ao tentarem obter esses dados por meio de Pedidos de Informação oficiais, foram ignorados. O silêncio é generalizado e alarmante.
Estima-se que, apenas em empréstimos aprovados nos últimos anos, o montante ultrapasse R$ 1 bilhão. Isso sem considerar os restos a pagar, parcelamentos previdenciários, precatórios e outras obrigações que, embora não apareçam em placas ou vídeos institucionais, consomem milhões dos cofres públicos todos os meses. O mais assustador não é a dívida, mas o fato de ninguém conseguir explicá-la com clareza.
E onde está a Câmara Municipal diante disso? Onde estão os vereadores que deveriam, por ofício constitucional, fiscalizar o Executivo e proteger o interesse coletivo? Boa parte está calada. Silenciosa diante do crescimento da dívida, submissa a um Executivo que tem maioria folgada e quase nenhuma oposição real. O que vemos é um Legislativo domesticado, com raras exceções, incapaz de impor freios e contrapesos à gestão municipal.
Essa relação simbiótica entre Prefeitura e Câmara, esse “casamento” forçado por cargos, emendas e alinhamentos de conveniência, é o maior obstáculo à transparência e à governança responsável. Quando o Legislativo deixa de ser fiscal para se tornar sócio, quem perde é a cidade. Quando o parlamento não questiona, naturaliza-se o descontrole financeiro e, com ele, o abandono de políticas públicas essenciais.
É por isso que a crise do “Saúde Servidor”, o desmonte silencioso da assistência social, a estagnação das escolas e a falta de investimentos reais em planejamento urbano não são acidentes isolados. São sintomas de um modelo de poder em que dívida se acumula, prestação de contas se esconde e a Câmara assiste, em silêncio, como se fosse plateia e não protagonista.
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